19 de abril de 2013

A felicidade se encontrava bem na ponta do meu nariz





#Crônica:
  Eu me lembro dos dias em que eu procurava incessavelmente a tal da felicidade. Nunca me dava por satisfeito, nos dias de chuva eu achava que a felicidade estava nos dias ensolarados, nos dias de calor eu desejava chuva e frio. Quase nunca tive dinheiro, por isso achava, que era ele o portal para a felicidade. 
  Como meu dinheiro nunca era excedente, eu não podia comprar roupas caras, sapatos de marca, sempre tive que andar de ônibus, desde cedo tive que trabalhar e por esse e outros motivos, eu me julgava infeliz, apenas mias um escravo da vida, que procurava sempre a felicidade, e nunca a encontrava. 
Mas da maneira mais trágica eu percebi que estava enganado.
  Foi saindo para mais um dia de trabalho, muito amargurado como sempre, que o destino me pregara uma peça.
Por um carro desgovernado eu fui lançado em uma árvore, e foi ali naquele acidente, é que eu fiquei tetraplégico.
Quando recebi essa notícia a primeira coisa que me veio a cabeça foi um poema de Mario Quintana, em que comparava a busca eterna da felicidade, com um velhinho infeliz que em vão procurava por toda parte seus óculos, e esse se encontrava bem na ponta de seu nariz.
E assim era eu: a felicidade me rodeava, e eu nunca a enxergava, e quando eu percebi que ela estava bem na ponta do meu nariz, já era tarde de  mais. 
                                                                                                                                               S.Mares 

Nenhum comentário:

Postar um comentário